O cuidado com os dentes começa na barriga da mamãe

Durante o período gestacional, os pais devem ser conscientizados quanto aos hábitos corretos de higiene bucal, através do controle da cárie e da doença periodontal com visitas periódicas ao cirurgião-dentista, a gestante deverá ser submetida a uma dieta balanceada, proporcionando um grande passo na promoção de saúde bucal do bebê, pois evitará hábitos prejudiciais, diminuindo a "janela de infectividade" (transmissibilidade de microorganismos ) dando oportunidade a uma criança livre de cárie e doença gengival.

A partir do 4º mês de gestação, inicia-se o desenvolvimento do paladar do bebê, portanto a gestante deve evitar a ingestão de alimentos açúcarados. O consumo de açúcar em sua forma natural, encontrado em vegetais e frutas, fornece as vitaminas, minerais e as calorias necessárias para a gestante e o bebê. Os açúcares extra-celulares refinados ou não, como a cana- de-açúcar, xarope de milho entre outros, promovem grande absorção de calorias com aumento de insulina no sangue, não existindo qualquer benefício nutricional.

A deficiência de proteínas, principalmente na vida intra-uterina será responsável por alterações na saúde do futuro bebê, como:

• diminuição do fluxo salivar;
• menor ação tampão da saliva;
• menor capacidade remineralizadora do esmalte;
• menor atividade antibacteriana da saliva;
• diminuição da resposta imunitária;
• formação de dentes menores;
• erupção retardada dos dentes;
• aumento da susceptibilidade à cárie.

A deficiência de oligoelementos como Ferro, Cobre e Molibdênio influenciam nas dimensões dentárias, morfologia e profundidade das fissuras oclusais dos dentes.

A desnutrição durante a gestação pode levar ao retardo da erupção dos dentes decíduos e à erupção precoce dos permanentes.
O álcool pode causar atraso no desenvolvimento das estruturas orais do feto. O fumo pode levar ao desenvolvimento de uma criança de baixo peso, assim como a doença periodontal que também pode causar o nascimento de crianças prematuras.
Infecções virais e bacterianas como ocorre nas febres, são prejudiciais à formação dos dentes do feto, os ameloblastos ( células formadoras do esmalte dental ) são sensíveis à altas temperaturas e ficam sujeitos às alterações nos seus padrões de deposição de cálcio.

Alguns medicamentos não devem ser prescritos para gestantes, como:

• Tetraciclinas - atravessam a barreira placentária podendo acarretar a pigmentação da coroa dos dentes decíduos, que começam a se formar a partir da 6ª semana de gestação, e dos dentes permanentes, que se formam a partir do 5º mês de gestação. Esses medicamentos podem levar ao desenvolvimento de dentes com hipoplasia de esmalte ( má formação do esmalte dental ).

• Antiinflamatórios não esteróides derivados do Ácido pirazôlonico - atravessam a barreira placentária e podem causar hipoplasia de esmalte e hipocalcificação ( maturação incompleta ou ausência de maturação do esmalte dental ).

Gravidez X Mitos:

• Alterações na saúde bucal da gestante poderão ser desencadeadas por um desequilíbrio hormonal estrógeno - progesterona e o aumento da progesterona, exacerbando os processos inflamatórios já existentes, como a gengivite.

• Cáries dentárias em maior número durante o período gestacional são questionáveis, podendo ser atribuídas a mudanças de hábitos alimentares, apetite exótico, náuseas, vômitos e outros fatores que levam à higienização inadequada.

• efeito benéfico da administração de flúor sistêmico em gestantes, na intenção de previnir cáries na dentição decídua de seu filho tem sido pouco pronunciado; por outro lado a manutenção de uma boa higiene oral pela gestante, uma dieta equilibrada, consultas periódicas ao dentista com realização de aplicações tópicas de flúor, têm grande valor preventivo para a saúde bucal da gestante e consequentemente irá evitar a transmissibilidade bacteriana para o futuro bebê.

 

 

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